E pelo sertão vai uma família de retirantes: bichos, pobres e mudos.
Entre Fabiano, Sinhá Vitória, o mais novo e mais velho está Baleia - talvez a que está mais perto do que um ser humano pode ser - que mesmo magra, faz o que pode para alimentá-los, pobre coitada!
Quando o menino mais velho procura saber o significado de inferno sua mãe lhe bate, com toda sua ignorância tenta contar uma história pra Baleia, mas poucas palavras são de uso do seu vocabulário, com sua bondade ela tenta animá-lo, sem êxito. O menino vive no próprio inferno e não o conhece! Tão inocente!
Baleia vive para eles, para salvá-los dessa dor do sertão, mas sempre incompreendida por Fabiano e sua esposa que dá pontapés na pobre Baleia para tentar se livrar da dor que é viver no inferno.
Tempos depois do inverno Baleia está castigada por sua magreza, com hidrofobia e com o seu pelo caindo, está pronta para morrer. Mas seria a sentença certa para Baleia: a morte? Depois de tudo o que fez por eles? Que tamanha crueldade! Fabiano com os seus grunhidos decide matá-la, tirar dela todo o sofrimento que ela tem carregado - seria a escolha certa a fazer? - Baleia percebe os movimentos de Fabiano e tenta se esconder, mas ele consegue atingi-la. Baleada, correndo em três pés, ela foge, e ao agonizar, anda em dois pés feito gente. Em sua agonia, Baleia sonha com um mundo repleto de preás, afinal, se até os pobres do sertão podem sonhar, porque a cadela não poderia?
Triste fim da Baleia, que carregava todo o amor e toda a felicidade para sua família, agora, morta. Sua família vai em busca de outro sítio para descansar, certamente rezando para uma outra "Baleia" entrar no caminho, dessa longa jornada, se não, do que valeu matá-la? A paz de algum jeito, nessa família tem que estar, e como não tem mais "Baleia", que rezem para que possam uma outra encontrar.
Sobre a obra Vidas Secas.
Muito legal, Caio. Eu adorei esse livro qdo li (há alguuuuns anos atrás) e foi ótimo relembrá-lo um pouco. Bjo!
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