Mais um longo dia se passou e o Sr. Galdino acaba de chegar em sua querida casa, seu doce lar, que só não é tão doce pela Dona Valda, sua esposa.
O Sr. Galdino passou seu dia todo trancafiado dentro de um escritório quente, dividindo o espaço que lhe resta de sua minúscula sala com papeis e mais papeis que nem ele sabe lá para que servem, até sejam importantes talvez.
Como dizia, o "Sinhô Gal" (para os mais chegados) sai do trabalho e estaciona seu Fiat Uno 95 na garagem de casa, abre o portão enferrujado e quase destruído pelo tempo, atravessa seu jardim de gramado seco e parece não se importar com a situação deste também. Ao encostar na maçaneta da porta de casa ele sente um alívio, dá um suspiro, olha para o céu e entra mais que depressa em casa, arranca os sapatos dos pés castigados pelos calos e os joga em qualquer canto possível de se achar pelo amanhecer do outro dia, com a mão esquerda lança sua pasta para outro lugar qualquer e avista o sofá, o seu sofá, de uso especial e exclusivo dele, e sem pensar em mais nada deita de qualquer forma que o fizesse relaxar, pega o controle da tevê e a liga. Pronto, agora nada mais o podia tirar de seu conforto, de seu aconchego, de sua televisão... E antes mesmo de dar o seu último suspiro de finalmente ter paz, sua Dona Valda chega perto dele, e fala em tom mais que audível.
-Por acaso o senhor esqueceu que hoje é dia de me levar ao centro para fazer compras? E eu ainda tenho que ir ao salão para arrumar meu cabelo, minha unha, meu pé...
E enquanto ela falava desesperadamente de suas futilidades, o sinhô Gal dá um suspiro, olha nos olhos dela e diz.
-Ô mulher, cá entre nós, deixa o verão pra mais tarde.
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