terça-feira, 11 de outubro de 2011

Anos de chumbo

Nas tardes de pouco sol dos anos que vivo.
Me exilo em minha sala de estar e danço com meus vinis de opressão ao regime.
Ai de mim o DOI-CODI me escutasse! Ai de mim se Sérgio Paranhos me encontrasse!
Quando vejo Lamarca desertar, me junto à Vanguarda Popular Revolucionária e logo vejo muito sangue esquerdista derramar... Aos poucos o medo e a censura se achegam ao nosso ideal, e na Bahia, meu velho amigo Lamarca é encontrado morto, os militares conseguiram fazê-lo calar.
Pressionado pela Lei de Segurança Nacional finalmente me calo, cansado procuro me exilar, e pobre do jeito que sou, o que me restou foi a minha sala de estar.
Fui fraco e desisti, mas foram poucos que conseguiram sobreviver à linha-dura... Talvez não estivesse aqui para lhes contar o que vivi e o que resisti.
E assim, lhes dou o meu relato sobre o que não me faz bem lembrar, 
um pouco sobre a ditadura e o regime militar.




2 comentários:

Os textos aqui publicados são documentos que foram e ainda hoje são descobertos em Areia do Sol. Tudo indica que foram escritos por um menino, mas na verdade foram elaborados e redigidos pelo Menino.