Coisa de dotô! - II
(...)
-Minh'senhora, e num é qui hoje me ocorreu uma coisa ingraçada.
-Ô meu filho, então disimbucha logo e me conta o qui foi qui ti aconteceu uai!
-Ispera muié! Nunca vi uma muié tão apressada dessi jeito, eta sô! Então, si ocê mi dexa conta, eu conto! Hoji mermo, de tardinha né... Tavo eu montado no meu jumentin e o Xerife (o cachorro da família Bastião) mi fazendo compania, nóis tava indo além das nossa terra, pertim da cidade. Foi ondi um moço arrumado, qui paricia dotô, mi paro i começo a prosia cum eu, na verdade eu num intendi foi nada, mi falo um monte de palavra dírficil qui eu num intendia... Veio mi contando duma tal sinhora tecnologia, mi dissi também qui ela num mora pro canto de cá não, mi falo também que'ssa sinhora tem uns apareio bom demai da conta, tudo cum uns nome dírficil também, o moço falava bunito qui até mi deu inveja na hora. O moço divia sê um anjo, tava todo arrumado, falava bunito e ainda mi deu um apareio pra mim trazê pá casa, um tal de cerlulá, falo qui era pá inclui eu na sociedadi e eli tava ali pra distirbuí o apareio pra nóis tudo da roça, ô moço bom, num é não Joaquina?
-Bom até dimai Tomé, e eli ti deu esse apareio mêmo?
-Ô muié dírficil sô! Só num é mai dírficil di intendê as coisa poque é só uma! Mai é claro qui mi deu, vô pega pá te amostra!
-Num pricisa di fala assim com eu também não, num mi ixplica as coisa direito... Mai esse apareio faz o que?
-Óia, pá qui servi eu num sei, mai cê pricisa vê, o bixo é bunito que só!
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