quarta-feira, 19 de outubro de 2011

11 de outubro

  Na tarde nublada de quinta-feira, vou para a varanda da minha casa, dou umas palminhas na minha velha cadeira de balanço para levantar a poeira da tela, me sento e sem felicidade alguma pego o mesmo jornal que eu já havia lido ontem, e leio a mesma reportagem: “Um pedestre morreu na tarde desta terça-feira, 11, após ser atropelado por um caminhão desgovernado em Osasco, na Grande São Paulo”, instantaneamente lágrimas lavam o meu rosto tentando levar consigo a minha dor e tristeza. O jovem pedestre atropelado era o meu filho, meu único e amado filho que completava a minha vida.
  E logo eu que já havia presenciado alguns acidentes antes, mas nunca me importado muito, agora sei a dor que é perder alguém. A maior dor: perder um filho. Nunca havia me preocupado muito, talvez pelo fato de pensar que um acidente desse, tão banal e violento no trânsito não fosse acontecer comigo, que eu morreria de um modo menos doloroso. Mas foi como se tivessem descoberto o meu egoísmo e assim resolvido levar o meu único bem, e só assim foi que eu pude perceber, que de um jeito indireto, aconteceu comigo, e do jeito mais doloroso e cruel, eu fui morto no trânsito naquele dia 11 de outubro junto com o meu filho.
 Que infelicidade, que tristeza, que solidão! Nessa minha cadeira de balanço vou ficar olhando para a avenida movimentada da Grande São Paulo, pedindo a Deus para que outros pais e outras famílias não tenham a mesma notícia que a minha, para que outras casas não percam o seu encanto e a sua alegria nas ruas de São Paulo, e de qualquer outra cidade do nosso país, mas como se não fosse importante a minha prece, todo dia alguém é levado... E o meu já foi.
  E mais um dia triste e sozinho passou, quem sabe amanhã ao ler a mesma notícia do ocorrido com o meu  filho, eu já consiga me desapegar dele e aprenda também a fingir que nada aconteceu. 

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Os textos aqui publicados são documentos que foram e ainda hoje são descobertos em Areia do Sol. Tudo indica que foram escritos por um menino, mas na verdade foram elaborados e redigidos pelo Menino.